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O protagonismo feminino no mercado da beleza no Brasil e os desafios por trás dessa liderança
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O mercado brasileiro de beleza e estética é um dos maiores do mundo. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o Brasil está entre os principais mercados globais de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, movimentando bilhões de reais todos os anos e gerando milhões de empregos diretos e indiretos.
Dentro desse cenário, as mulheres são maioria absoluta, tanto como consumidoras quanto como empreendedoras. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o setor de beleza está entre os que concentram maior número de negócios liderados por mulheres no país. Segmentos como salões de beleza, design de sobrancelhas, estética facial e corporal, nail design, extensão de cílios e micropigmentação são, em sua maioria, comandados por empreendedoras.
Ou seja: a mulher não apenas movimenta o consumo no setor, ela está à frente da gestão, da inovação e do crescimento desse mercado.
Mas existe um ponto que nem sempre aparece nas estatísticas: os desafios estruturais que essas mulheres enfrentam para manter e expandir seus negócios.
A partir de relatos de clientes da Gendo, reunimos as principais dificuldades enfrentadas por mulheres empreendedoras no setor da beleza e estética.

1. Credibilidade: a necessidade constante de provar competência
Se há um ponto comum em praticamente todos os relatos, é este: a credibilidade é o maior desafio.
Muitas empreendedoras relatam que precisaram “provar duas vezes mais” sua capacidade de liderar, decidir e sustentar um negócio. Desde o início da trajetória, ao tentar alugar um espaço comercial, negociar com fornecedores ou liderar uma equipe, a sensação de desconfiança era recorrente.
Uma das empresárias compartilhou que, ao tentar alugar um ponto comercial sozinha, ouvia que o imóvel já havia sido alugado. Quando retornava acompanhada de um homem da família, o tratamento mudava.
Outra empreendedora destacou que, mesmo ocupando palcos importantes e fechando parcerias relevantes, sentia que precisava justificar constantemente por que estava ali.
Essa necessidade permanente de validação gera desgaste emocional e psicológico. E, ainda assim, muitas seguem, não por facilidade, mas por convicção.
2. Acesso a oportunidades: portas que não se abrem da mesma forma
Além da credibilidade, o acesso a oportunidades aparece como um desafio estrutural.
Convites para palestras, parcerias com marcas, participação em eventos e espaços de decisão nem sempre chegam na mesma proporção. Muitas relataram que precisaram construir autoridade de forma estratégica e consistente até que seus resultados se tornassem “impossíveis de ignorar”.
Um caso marcante foi o reconhecimento em um grande congresso do setor — quando o método de uma das profissionais foi premiado no 6º Congresso Internacional de Estética, o Estetica in São Paulo. A partir desse momento, o mercado passou a enxergá-la de forma diferente.
Não foi uma oportunidade concedida. Foi conquistada.
3. Desafios financeiros e dificuldade de acesso a recursos
Embora a questão financeira nem sempre seja o primeiro obstáculo citado, ela está presente, principalmente no início da jornada.
Empreender na beleza exige investimento em:
- Estrutura física
- Equipamentos
- Produtos
- Capacitação constante
- Marketing e posicionamento
Para muitas mulheres, especialmente aquelas que começam sozinhas, todo o risco financeiro recai sobre elas. E quando somamos a isso a dificuldade de acesso a crédito, confiança do mercado e negociações com fornecedores, o desafio se amplia.
Algumas relataram, inclusive, experiências de postura machista em processos de compra, com vendedores tentando impor decisões ou desconsiderando a capacidade técnica da empreendedora.
4. Pressões sociais e familiares
Outro ponto forte nos relatos foi a pressão social.
Uma das empreendedoras compartilhou que, dentro da própria família, seu trabalho com sobrancelhas não era visto como algo “sério” ou promissor. Havia uma expectativa de que ela priorizasse casamento, filhos e vida doméstica antes de pensar na própria realização profissional.
Essa expectativa ainda é comum no Brasil. A mulher empreendedora, muitas vezes, precisa lidar simultaneamente com:
- Gestão do negócio
- Liderança de equipe
- Responsabilidades familiares
- Culpa por priorizar o crescimento profissional
Conciliar maternidade, relacionamento, autocuidado e gestão empresarial não é simples. E, ainda assim, muitas seguem construindo empresas sólidas, muitas vezes sendo a primeira mulher da família a alcançar esse nível de independência.

5. Liderar em um mercado ainda referenciado por homens
Mesmo sendo um setor majoritariamente feminino na base operacional, muitos cargos estratégicos, grandes marcas fornecedoras e estruturas de decisão ainda são ocupados por homens.
Isso cria um paradoxo: negócios formados 100% por mulheres, mas que ainda dependem de uma cadeia de fornecedores e representantes predominantemente masculina.
Esse cenário pode gerar desânimo, especialmente quando a empreendedora sente que sua voz não é ouvida com o mesmo peso.
6. Como essas mulheres estão superando esses desafios?
Apesar das barreiras, os relatos também revelam algo poderoso: estratégia, constância e posicionamento são as ferramentas mais usadas para vencer esses obstáculos.
Os caminhos mais citados foram:
- Investimento constante em formação
- Padrão alto de entrega
- Construção de autoridade
- Resultados consistentes
- Posicionamento firme no mercado
- Precificação alinhada ao valor entregue
Nenhuma delas falou sobre “esperar reconhecimento”. Todas falaram sobre construir reconhecimento.
Elas entenderam que credibilidade não se pede, se constrói.

O que isso ensina para quem está empreendendo hoje?
Se você é mulher e está à frente de um negócio na área da beleza, é importante ter clareza de algo: os desafios não significam incapacidade. Muitas vezes, significam que você está ocupando espaços que historicamente não foram pensados para você.
Mas aqui vai um ponto importante, direto e honesto:
Não basta ter talento técnico.
Não basta atender bem.
Não basta trabalhar muito.
É preciso gestão, posicionamento, estratégia e dados para sustentar crescimento.
Empreender exige estrutura. E estrutura reduz vulnerabilidades.
O mercado da beleza no Brasil é gigante e continuará crescendo. A pergunta não é se há espaço, é quem está preparado para ocupá-lo de forma profissional, organizada e estratégica.
As mulheres já provaram que sabem liderar esse setor.
Agora, a próxima etapa é consolidar essa liderança com cada vez mais estrutura, tecnologia e visão de longo prazo.
Porque quando resultado encontra posicionamento, o reconhecimento deixa de ser exceção e vira consequência.